Será que o saudoso Aldir Blanc e seus parceiros de composição João Bosco e Paulo Emílio conheceram Esperanza Spalding? A artista norte-americana, exímia contrabaixista, fã declarada da música brasileira, bem que poderia ser mesmo a tal “avatar vodu” exaltada na canção Coisa Feita, rebento desses três geniais compositores.

Quando eles compuseram essa letra que fala das qualidades da mulher do Daomé (antigo reino africano onde fica atualmente o Benin), obviamente nenhum deles poderiam ter se inspirado em Esperanza Spalding, visto que ela nem era nascida. Mas numa eleição imaginária feita com os três para eleger a alteza do Daomé, acho que Esperanza Spalding seria eleita por unanimidade. Até porque só ela atualmente sabe ser “bem mulher de pegar um contrabaixo pelo pé” e pelo pescoço e destrinchar cada corda, fazendo-o reverberar brilhantemente na cara do mundo masculinizado do jazz. 

0477 - Coisa Feita - Esperanza Spalding [2009]

Outro dia li uma matéria de uma publicação conceituada que dizia que a “sofrência” está na moda. Pensei aqui com meus botões que a tal da “sofrência” (que aliás é um neologismo que congrega as palavras sofrimento e carência) nunca saiu de moda. Ao que consta na história do mundo, desde que homens e mulheres se apaixonaram e tiverem revezes em suas relações, suas mágoas amorosas servem de inspiração para expressões artísticas das mais variadas formas. E com certeza, como quem canta seus males espanta, haja gogó e folego para cantar tantas desilusões que se tornam sucessos em qualquer estilo musical.

Nestas agruras amorosas, me parece que quanto maior o sofrimento do compositor, mais bonita é canção que ele compõe. Como é o caso de I Don’t Want To Talk About It de autoria de Danny Whitten, guitarrista e vocalista da banda Crazy Horse

0476 - I Don't Want To Talk About It - Rod Stewart [1975]

Quem nunca cantou quando criança: “Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho / Voou, voou, voou, voou / E a menina que gostava tanto do bichinho / Chorou, chorou, chorou, chorou”. Os versos de Sabiá na Gaiola se tornaram uns dos mais conhecidos entre as cantigas infantis brasileiras desde seu lançamento, em 1950, quando Hervê Cordovil cantou e musicou a criação de Mário Vieira. 

Inicialmente criado como um baião, esta grande sucesso nas cantigas de roda e da música popular brasileira teve como primeira intérprete a grande Rainha do Baião da Rádio Nacional, Carmélia Alves.

Cover Records - As versões francesa e alemã para Sabia Lá Na Gaiola

“Se arrependimento matasse, hoje eu estaria num cemitério qualquer” (...)

Comecei o post com um trecho da música Se arrendimento matasse da banda gaúcha Graforréia Xilarmônica que me parece bem adequada  para contextualizar a história de What’s Love Got To Do With It, canção que é a marca registrada da grande cantora Tina Turner.

Então imagine um cantor ou grupo que ao receber uma demo de uma canção como What’s Love Got To Do With It acha que ela não tem nenhum potencial artístico. E dali a demo passa nas mãos de vários outros artistas e continua a ser desprezada. Depois, anos mais tarde estes artistas estão ouvindo rádio e reconhecem a canção na voz de outro artista e descobrem que a canção outrora menosprezada se tornou um hit mundial. 

Foi exatamente isto que ocorreu com What’s Love Got To Do With It. A canção composta pelos britânicos Graham Lyle e Terry Britten foi oferecida primeiramente ao cantor Cliff Richard. Depois, a música é oferecida as cantoras Phyllis Hyman e Donna Summer que também não tiveram interesse em gravá-la. Na sequência, foi a vez da banda Buck Fizz. A banda inglesa, que havia ganhado a competição Eurovision com a música Making Up Your Mind em 1981, recebeu a canção em mãos em 1982 e decidiu gravá-la em estúdio para o disco Are You Ready. Porém, por terem uma gama de músicas prontas, o grupo optou em deixá-la engavetada. E quando finalmente decidem incluí-la no seu quarto álbum de estúdio, I Hear Talk de 1984, eles se deparam na rádio com o single de What’s Love Got To Do With It explodindo a boca do balão com a cantora Tina Turner. O grupo então decide de vez não mais incluí-la no disco. (Ah, sente arrependimento matasse...)

O Buck Fizz só veio a lançar sua interpretação de What’s Love Got To Do With It em 2000, quando a banda relançou a edição comemorativa de Are You Ready com um CD extra contendo apenas faixas de estúdio gravada durante a produção do disco que ficaram para trás. Eis a versão de Buck Fizz para What’s Love Got To Do With It:


Portanto, tecnicamente falando, What’s Love Got To Do With It na voz de Tina Turner é uma cover. A história de sucesso com a gravação de What’s Love Got To Do With It é fantástica. Esta cover simplesmente fez Tina ressurgir das cinzas para o mundo da música, elevando-a a status de diva da música pop dos anos 80 e 90. Antes, nos anos 60 e início dos anos 70, Tina juntamente com até então seu marido Ike Turner produziram alguns hits no cenário R&B, entre eles a cover de Proud Mary do Creedence Clearwater Revival.

Depois de problemas e brigas em sua vida conjugal, ela se separa oficialmente de Ike Turner em 1978. Nos anos seguintes, Tina gravou dois álbuns que simplesmente não decolaram e a fizeram perder contrato com uma gravadora. Na primavera de 1984, Tina ganha uma nova chance no mundo da música e lança um single com sua intepretação de Let’s Stay Together, canção originalmente grava por Al Green. Esta cover fez com que Tina chegasse a 26ª posição da Billboard Hot 100. E poucos meses depois ela lança o disco Private Dance

O disco foi um sucesso tão grande que chegou a posição de número 3 nas paradas da Billboard e foi indicado a 6 categorias do Grammy Awards, ganhando em 4 delas. Só a música What’s Love Got To Do With It ganhou 3 prêmios Grammy: o de gravação do ano, o de melhor música do ano e o de melhor performance pop vocal feminino. Sem falar que em 1985 o clipe desta canção ganhou também o prêmio de Melhor Videoclipe Feminino no MTV Awards. (Ufa, haja prêmios para uma única canção!)


Com toda esta história, fico pensando se Cliff Richard, Phyllis Hyman, Donna Summer e o grupo Buck Fizz se arrependeram, em algum momento, em não gravar ou lançar sua própria versão de What’s Love Got To Do With It.

0475 - What's Love Got To Do With It - Tina Turner [1984]

É mais comum do que imaginamos uma música ser um estrondoso sucesso mundial através de uma cover e seu lançamento original passar desapercebido do grande público. E são estes casos que impulsionaram a construção do 1001 Covers lá em 2009. Por isto ficamos sempre muito mais felizes quando descobrimos “velhas histórias novas” deste tipo, onde a cover fez mais sucesso que a original, porém sabíamos que se tratava de fato de um cover. 

Certamente quem viveu os anos 70 e gosta de ouvir rádios de soft-rock como Antena 1 ou Alpha FM já deve ter ouvido Love Will Keep Us Together. Como não era nascido nos anos 70, eu vim a conhecê-la pela primeira vez na sala de espera de consultório dentário que frequentava muito nos anos 90 em São Paulo. Tinha meus 14 anos e achava um saco ficar aguardando as vezes por mais de 1 hora para ser atendido. Naquele tempo, por conta de um aparelho ortodôntico, ia quase toda semana neste consultório e sempre a música do ambiente era Antena 1 ou Alpha FM. Quase sempre eram os mesmos hits dos anos 70 que tocavam nestas rádios. E quase toda semana lá estava Love Will Keep Us Together tocando entre outras tantas músicas setentistas. Porém, quase nunca guardava quem eram os artistas/bandas/grupos daquelas músicas. 

0474 - Love Will Keep Us Together - Captain & Tennille [1974]

O cantor, músico e compositor italiano Pino Daniele foi, e continua sendo, um dos artistas mais importantes de seu país. Em Janeiro de 2015, ele infelizmente se foi; morreu de infarto fulminante em sua residência localizada na região da Toscana. Nascido em Nápoles no ano de 1955, Pino cultivou desde cedo um amor pela música. Com pouco mais de vinte anos, ingressou como baixista do Napoli Centrale, uma banda composta por músicos napolitanos e norte-americanos, criada por duas figuras históricas da cena musical napolitana: o saxofonista James Sanese e o baterista Franco Del Padre, ambos provenientes do grupo Showmen, famoso na Itália nos anos sessenta e setenta.

Cover Playlist - 3 canções do italiano Pino Daniele regravadas por artistas brasileiros

Nossa lista de 50 Melhores Covers de 2019 está no ar, com a PARTE 1 (Posição 50 a 26) e PARTE 2 (Posição 25 a 1). Se você não teve tempo de conferir as postagens na íntegra, segue aqui a Playlist do YouTube do 1001 Covers e um quadro resumo!

Fiquem a vontade para comentar, criticar e aproveitar para indicar quais foram as covers que faltaram na nossa lista e quais foram suas prediletas. Se quiser VOTAR NA MELHOR COVER DE 2019, segue o link:
Participe!!!


50 Melhores Covers de 2019 - Playlist e Votação

O ano de 2020 já começou e nós do 1001 Covers não poderíamos deixar de publicar a nossa lista de melhores covers que ouvimos em 2019. Sabemos que estamos um pouco atrasados pois, num piscar de olhos, já estamos na segunda quizena de 2020 e algumas ótimas covers já começaram a pipocar por aí. Mas, para começar com pé direito este ano, nada melhor do que começa-lo com uma enxurrada de boas covers! 

Em 2019 boas cover não faltaram. Chegamos numa incrível marca de 110 covers pré-selecionadas, mas apenas as 50 melhores ficaram. Na lista você vai encontrar "revivals" dos anos 80, tributos, cantor romântico fazendo cover heavy-metal e até covers de músicas atuais que andam "bombando" em alguma rádio FM ou plataforma de streaming deste universo.

Portanto, ouçam, aproveitem e fiquem a vontade para criticar e nos dizer o que ficou de fora de nossa lista ou qual você mais gostou. E que todos tenham um ótimo ano de 2020!

50 Melhores Covers de 2019 - Parte 1: Posição 50 a 26

O ano de 2020 já começou e nós do 1001 Covers não poderíamos deixar de publicar a nossa lista de melhores covers que ouvimos em 2019. Sabemos que estamos um pouco atrasados pois, num piscar de olhos, já estamos na segunda quizena de 2020 e algumas ótimas covers já começaram a pipocar por aí. Mas, para começar com pé direito este ano, nada melhor do que começa-lo com uma enxurrada de boas covers! 

Em 2019 boas cover não faltaram. Chegamos numa incrível marca de 110 covers pré-selecionadas, mas apenas as 50 melhores ficaram. Na lista você vai encontrar "revivals" dos anos 80, tributos, cantor romântico fazendo cover heavy-metal e até covers de músicas atuais que andam "bombando" em alguma rádio FM ou plataforma de streaming deste universo.

Portanto, ouçam, aproveitem e fiquem a vontade para criticar e nos dizer o que ficou de fora de nossa lista ou qual você mais gostou. E que todos tenham um ótimo ano de 2020!

50 Melhores Covers de 2019 - Parte 2: Posição 25 a 1

O Lista Minha traz hoje a seleção feita por Alexandre Dantas. Direto da cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais, Alexandre, que é professor universitário, escolheu com muita maestria 10 covers. E para não "pender" apenas para o estrangeirismo, sua seleção é bem diplomática, contendo ótimas 5 covers nacionais e 5 internacionais.

Assim como o Alexandre, qualquer um pode enviar sua lista de covers prediletas. Você pode selecionar até 10 covers para o e-mail 1001covers@gmail.com ou uma mensagem direta na nossa página do Facebook que nós iremos analisá-la e publicá-la em breve. Pode enviar também covers de sua banda ou grupo musical ou de seu trabalho solo. Participe!

Lista Minha - Alexandre Dantas