“Burummm bump mais que nervoso estou, Burummm bump sou neurastênico (…)”

Essa letra onomatopeica pertence a canção Neurastênico, sucesso absoluto no Brasil durante os anos 1950 e 1960. Se você tem seus 30, 40 ou 50 anos com certeza já a ouviu em outras músicas ou em jingle de comercial antigo de TV sem saber exatamente sobre sua verdadeira origem.

No meu caso, ouvi-la pela primeira vez nos idos de 1996 por intermédio do hit Ônibusfobia do Jota Quest. A banda mineira não fez exatamente uma cover de Neurastênico, mas sim se utilizou de um trecho daquela composição para fazer a letra de Ônibusfobia.


Mal sabia nessa época que esse trecho era de outra música. Só vim a perceber que Neurastênico era uma música com “vida própria” quando a ouvi pela primeira vez há uns 6 meses através da gravação feita pelo grupo vocal Os Cariocas. Inusitadamente a conheci por meio de um grupo numa rede social, numa postagem que mostrava um comercial antigo de TV do início dos anos 2000 do enxaguatório bucal Anapyon com título “É bom é Anapyon”. Confira:


De fato, o jingle era uma clara adaptação de Neurastênico. Isto só atiçou ainda mais minha curiosidade em tentar descobrir sua origem e a história desta canção.


Pulando de site em site, me deparei com vários fatos curiosos. O primeiro deles fazem referências ao cantor Ronnie Cord, que fez uma gravação de Neurastênico no embalo do movimento Jovem Guarda em 1963 e alcançou um grande êxito na época. Até hoje muitas pessoas acham que a canção Neurastênico é uma gravação original de Ronnie Cord. 

Contudo, quando pesquisando sobre o artista no site Dicionário Cravo Albin da MPB me deparei com seguinte trecho: “Ronnie Cord iniciou sua carreira em 1960, tendo a ajuda na produção e na escolha do repertório, de seu pai, Hervê Cordovil, e sendo acompanhado por Betinho e Seu Conjunto”. Justamente neste ponto que comecei a correlacionar tudo. Ronnie Cord tinha como banda de apoio a tal Betinho e Seu Conjunto. E, não por coincidência, encontrei os créditos de Neurastênico dados aos compositores Betinho e Nazareno de Brito.

De fato, Betinho (ou Alberto Borges de Barros) era um dos autores da canção e foi o primeiro a gravar seu próprio rebento em 1954 – logo não era de se surpreender que Ronnie Cord tenha a regravado 9 anos mais tarde do lançamento original.


Outro fato curioso reside no estilo foxtrote de Neurastênico. Este ponto gerou uma certa celeuma quanto a relação desta música com a discussão sobre o tem "Primeiro Rock’n’Roll 100% Brasileiro". 

Como se sabe, o estilo foxtrote foi inicialmente escolhido (erroneamente) por algumas gravadoras norte-americanas para classificar as primeiras composições rock’n’roll. A própria gravação de Rock Around The Clock de Bill Haley and His Comets fora classificada inicialmente pela gravadora Deca como foxtrote. Além disto, Bentinho foi um dos músicos pioneiros a tocar guitarra elétrica em suas apresentações e aderir a estética rockabilly dos anos 50 e 60 aqui no país. Soma-se a isto o fato de que a música Enrolando o Rock de 1957, esta sim considerada por muitos especialistas como sendo o primeiro do rock brasileiro de fato, ser um rebento do próprio Betinho. Daí toda a confusão onde alguns sites informam erroneamente que Neurastênico foi o primeiro rock brasileiro. 

Pois bem, como não se bastasse todas esses fatos, descobrimos que Neurastênico não foi um sucesso apenas em terras brasileiras. Hoje, graças a uma base de dados enorme oferecida pela internet, descobrimos nas pesquisas que artistas de outros países também fizeram suas próprias adaptações para esta canção.

Uma das gravações mais raras é foi feita pelo duo cantante de músicas cômicas Los Casanovas. Criado em Cuba durante a década de 50 – muito provavelmente anos antes da Revolução Cubana de 1959 – a dupla formada por Alfonso Casanova e Armando Argüelles fizeram sucesso por toda América Central. O LP coletânea de maiores sucessos da dupla, intitulado Que Chabocha La Chevecha, lançado pelo selo Kubaney (não se sabe ao certo o ano deste lançamento) continha em seu lado B justamente uma adaptação para o espanhol da música Neurastênico:


Outra adaptação que ganhou destaque foi feita pela cantora argentina radicada na Espanha Elder Barber. Num EP contendo com 4 canções, lançado em 1958, em um de seus lados continha a música El Neurasténico, uma adaptação feita para idioma o espanhol, que acabou ganhando flexão do adjetivo para o feminino. Ao ouvi-la, podemos perceber que a letra adaptada é bem menos fiel a letra original em português:


Por fim, temos a interpretação da belíssima cantora e atriz norte-americana Barbara Ruick acompanhada da grande orquestra de Ray Conniff. A adaptação para o inglês ganhou o título Br-Rrr-Rr-M! (Neurastenico) e foi escrita em 1955 por Carolyn Leigh, reconhecidamente uma das maiores compositoras de musicais da Broadway de todos os tempos. Apenas para nos situarmos, além de seu trabalho em musicais, Leigh em parceria com Cy Coleman lançou um dos maiores sucessos de Frank Sinatra, The Best Is Yet To Come. Só por isto, dado o peso desse trio, Carolyn Leigh, Barbara Ruick e Ray Conniff, devemos apreciar com atenção este verdadeiro achado...


Com tantas histórias e tantos fatos curiosos e importante, é estranho que aqui no Brasil não termos uma reverência mínima aos autores da canção Neurastênico, não só para darmos os créditos corretamente a Betinho e Nazareno de Brito, mas como também admirar toda a criatividade e ousadia desta composição para a época. Mais uma vez temos que reconhecer que a música brasileira já foi um produto de exportação muito apreciado pelo mundo inteiro. É uma pena que hoje nossa música já não possua essa mesma qualidade e, pior, sua história está pouco a pouco se perdendo. 

Fontes:

Autor Desconhecido. Dados artísticos de Nazareno de Brito - Dicionário Cravo Albin Música Popular Brasileira - Disponível em: https://dicionariompb.com.br/nazareno-de-brito/dados-artisticos - acessado em 27 de Setembro de 2020 

Autor Desconhecido. Dados artísticos de Betinho - Dicionário Cravo Albin Música Popular Brasileira - Disponível em: https://dicionariompb.com.br/betinho/dados-artisticos - acessado em 27 de Setembro de 2020.

Autor Desconhecido. Dados artísticos de Ronnie Cord - Dicionário Cravo Albin Música Popular Brasileira - Disponível em: https://dicionariompb.com.br/ronnie-cord/dados-artisticos - acessado em 27 de Setembro de 2020.

Autor Desconhecido. Discografia de Ray Connif - ’S WONDERFUL! The Ray Conniff Page - Disponível em: http://mthoenicke.magix.net/public/RayConniff/CollectorsGuide/ - acessado em 28 de Setembro de 2020.

Busca por "Neurastenico" - Discogs - Disponível em: https://www.discogs.com/search/?q=neurastenico&type=all - acessado em 28 de Setembro de 2020

BARBO, Sergio. Rock: Não como nossos pais - Super Interessante - Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/rock-nao-como-nossos-pais/ - acessado em 27 de Setembro de 2020.

DOS SANTOS, Joaquim Ferreira. Neurastênico - Radio Batuta - Disponível em: https://radiobatuta.com.br/programa/neurastenico/ - acessado em 28 de Setembro de 2020.

SANTANA, João Carlos. Cronologia do Rock Nacional - Coluna Rádio CBN - Disponível em: http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/joaocarlossantana/2009/07/28/cronologia-do-rock-nacional-betinho/ - acessado em 28 de Setembro de 2020.

Cover Records - A origem e as versões da canção Neurastênico

Será que o saudoso Aldir Blanc e seus parceiros de composição João Bosco e Paulo Emílio conheceram Esperanza Spalding? A artista norte-americana, exímia contrabaixista, fã declarada da música brasileira, bem que poderia ser mesmo a tal “avatar vodu” exaltada na canção Coisa Feita, rebento desses três geniais compositores.

Quando eles compuseram essa letra que fala das qualidades da mulher do Daomé (antigo reino africano onde fica atualmente o Benin), obviamente nenhum deles poderiam ter se inspirado em Esperanza Spalding, visto que ela nem era nascida. Mas numa eleição imaginária feita com os três para escolher a alteza do Daomé, acho que Esperanza Spalding venceria o pleito por unanimidade. Até porque só ela atualmente sabe ser “bem mulher de pegar um contrabaixo pelo pé” e pelo pescoço e destrinchar cada corda, fazendo-o reverberar brilhantemente na cara do mundo masculinizado do jazz. 

0477 - Coisa Feita - Esperanza Spalding [2009]

Outro dia li uma matéria de uma publicação conceituada que dizia que a “sofrência” está na moda. Pensei aqui com meus botões que a tal da “sofrência” (que aliás é um neologismo que congrega as palavras sofrimento e carência) nunca saiu de moda. Ao que consta na história do mundo, desde que homens e mulheres se apaixonaram e tiverem revezes em suas relações, suas mágoas amorosas servem de inspiração para expressões artísticas das mais variadas formas. E com certeza, como quem canta seus males espanta, haja gogó e folego para cantar tantas desilusões que se tornam sucessos em qualquer estilo musical.

Nestas agruras amorosas, me parece que quanto maior o sofrimento do compositor, mais bonita é canção que ele compõe. Como é o caso de I Don’t Want To Talk About It de autoria de Danny Whitten, guitarrista e vocalista da banda Crazy Horse

0476 - I Don't Want To Talk About It - Rod Stewart [1975]

Quem nunca cantou quando criança: “Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho / Voou, voou, voou, voou / E a menina que gostava tanto do bichinho / Chorou, chorou, chorou, chorou”. Os versos de Sabiá na Gaiola se tornaram uns dos mais conhecidos entre as cantigas infantis brasileiras desde seu lançamento, em 1950, quando Hervê Cordovil cantou e musicou a criação de Mário Vieira. 

Inicialmente criado como um baião, esta grande sucesso nas cantigas de roda e da música popular brasileira teve como primeira intérprete a grande Rainha do Baião da Rádio Nacional, Carmélia Alves.

Cover Records - As versões francesa e alemã para Sabia Lá Na Gaiola

“Se arrependimento matasse, hoje eu estaria num cemitério qualquer” (...)

Comecei o post com um trecho da música Se arrendimento matasse da banda gaúcha Graforréia Xilarmônica que me parece bem adequada  para contextualizar a história de What’s Love Got To Do With It, canção que é a marca registrada da grande cantora Tina Turner.

Então imagine um cantor ou grupo que ao receber uma demo de uma canção como What’s Love Got To Do With It acha que ela não tem nenhum potencial artístico. E dali a demo passa nas mãos de vários outros artistas e continua a ser desprezada. Depois, anos mais tarde estes artistas estão ouvindo rádio e reconhecem a canção na voz de outro artista e descobrem que a canção outrora menosprezada se tornou um hit mundial. 

Foi exatamente isto que ocorreu com What’s Love Got To Do With It. A canção composta pelos britânicos Graham Lyle e Terry Britten foi oferecida primeiramente ao cantor Cliff Richard. Depois, a música é oferecida as cantoras Phyllis Hyman e Donna Summer que também não tiveram interesse em gravá-la. Na sequência, foi a vez da banda Buck Fizz. A banda inglesa, que havia ganhado a competição Eurovision com a música Making Up Your Mind em 1981, recebeu a canção em mãos em 1982 e decidiu gravá-la em estúdio para o disco Are You Ready. Porém, por terem uma gama de músicas prontas, o grupo optou em deixá-la engavetada. E quando finalmente decidem incluí-la no seu quarto álbum de estúdio, I Hear Talk de 1984, eles se deparam na rádio com o single de What’s Love Got To Do With It explodindo a boca do balão com a cantora Tina Turner. O grupo então decide de vez não mais incluí-la no disco. (Ah, sente arrependimento matasse...)

O Buck Fizz só veio a lançar sua interpretação de What’s Love Got To Do With It em 2000, quando a banda relançou a edição comemorativa de Are You Ready com um CD extra contendo apenas faixas de estúdio gravada durante a produção do disco que ficaram para trás. Eis a versão de Buck Fizz para What’s Love Got To Do With It:


Portanto, tecnicamente falando, What’s Love Got To Do With It na voz de Tina Turner é uma cover. A história de sucesso com a gravação de What’s Love Got To Do With It é fantástica. Esta cover simplesmente fez Tina ressurgir das cinzas para o mundo da música, elevando-a a status de diva da música pop dos anos 80 e 90. Antes, nos anos 60 e início dos anos 70, Tina juntamente com até então seu marido Ike Turner produziram alguns hits no cenário R&B, entre eles a cover de Proud Mary do Creedence Clearwater Revival.

Depois de problemas e brigas em sua vida conjugal, ela se separa oficialmente de Ike Turner em 1978. Nos anos seguintes, Tina gravou dois álbuns que simplesmente não decolaram e a fizeram perder contrato com uma gravadora. Na primavera de 1984, Tina ganha uma nova chance no mundo da música e lança um single com sua intepretação de Let’s Stay Together, canção originalmente grava por Al Green. Esta cover fez com que Tina chegasse a 26ª posição da Billboard Hot 100. E poucos meses depois ela lança o disco Private Dance

O disco foi um sucesso tão grande que chegou a posição de número 3 nas paradas da Billboard e foi indicado a 6 categorias do Grammy Awards, ganhando em 4 delas. Só a música What’s Love Got To Do With It ganhou 3 prêmios Grammy: o de gravação do ano, o de melhor música do ano e o de melhor performance pop vocal feminino. Sem falar que em 1985 o clipe desta canção ganhou também o prêmio de Melhor Videoclipe Feminino no MTV Awards. (Ufa, haja prêmios para uma única canção!)


Com toda esta história, fico pensando se Cliff Richard, Phyllis Hyman, Donna Summer e o grupo Buck Fizz se arrependeram, em algum momento, em não gravar ou lançar sua própria versão de What’s Love Got To Do With It.

0475 - What's Love Got To Do With It - Tina Turner [1984]

É mais comum do que imaginamos uma música ser um estrondoso sucesso mundial através de uma cover e seu lançamento original passar desapercebido do grande público. E são estes casos que impulsionaram a construção do 1001 Covers lá em 2009. Sempre ficamos felizes quando descobrimos “velhas histórias novas” deste tipo, onde a cover fez mais sucesso que a original.

Certamente quem viveu os anos 70 e gosta de ouvir rádios soft-rock como Antena 1 ou Alpha FM já deve ter ouvido Love Will Keep Us Together. Como não era nascido nos anos 70, eu vim a conhecê-la pela primeira vez na sala de espera de um consultório dentário que frequentava muito nos anos 90 em São Paulo. Tinha meus 14 anos e achava um saco ficar aguardando as vezes por mais de 1 hora para ser atendido. Naquele tempo, por conta de um aparelho ortodôntico, ia quase toda semana neste consultório e sempre a música do ambiente era Antena 1 ou Alpha FM. Quase sempre eram os mesmos hits dos anos 70 que tocavam nestas rádios. E quase toda semana lá estava Love Will Keep Us Together tocando entre outras tantas músicas setentistas. Porém, quase nunca guardava quem eram os artistas/bandas/grupos daquelas músicas. 

0474 - Love Will Keep Us Together - Captain & Tennille [1974]

O cantor, músico e compositor italiano Pino Daniele foi, e continua sendo, um dos artistas mais importantes de seu país. Em Janeiro de 2015, ele infelizmente se foi; morreu de infarto fulminante em sua residência localizada na região da Toscana. Nascido em Nápoles no ano de 1955, Pino cultivou desde cedo um amor pela música. Com pouco mais de vinte anos, ingressou como baixista do Napoli Centrale, uma banda composta por músicos napolitanos e norte-americanos, criada por duas figuras históricas da cena musical napolitana: o saxofonista James Sanese e o baterista Franco Del Padre, ambos provenientes do grupo Showmen, famoso na Itália nos anos sessenta e setenta.

Cover Playlist - 3 canções do italiano Pino Daniele regravadas por artistas brasileiros

Nossa lista de 50 Melhores Covers de 2019 está no ar, com a PARTE 1 (Posição 50 a 26) e PARTE 2 (Posição 25 a 1). Se você não teve tempo de conferir as postagens na íntegra, segue aqui a Playlist do YouTube do 1001 Covers e um quadro resumo!

Fiquem a vontade para comentar, criticar e aproveitar para indicar quais foram as covers que faltaram na nossa lista e quais foram suas prediletas. Se quiser VOTAR NA MELHOR COVER DE 2019, segue o link:
Participe!!!


50 Melhores Covers de 2019 - Playlist e Votação

O ano de 2020 já começou e nós do 1001 Covers não poderíamos deixar de publicar a nossa lista de melhores covers que ouvimos em 2019. Sabemos que estamos um pouco atrasados pois, num piscar de olhos, já estamos na segunda quizena de 2020 e algumas ótimas covers já começaram a pipocar por aí. Mas, para começar com pé direito este ano, nada melhor do que começa-lo com uma enxurrada de boas covers! 

Em 2019 boas cover não faltaram. Chegamos numa incrível marca de 110 covers pré-selecionadas, mas apenas as 50 melhores ficaram. Na lista você vai encontrar "revivals" dos anos 80, tributos, cantor romântico fazendo cover heavy-metal e até covers de músicas atuais que andam "bombando" em alguma rádio FM ou plataforma de streaming deste universo.

Portanto, ouçam, aproveitem e fiquem a vontade para criticar e nos dizer o que ficou de fora de nossa lista ou qual você mais gostou. E que todos tenham um ótimo ano de 2020!

50 Melhores Covers de 2019 - Parte 1: Posição 50 a 26

O ano de 2020 já começou e nós do 1001 Covers não poderíamos deixar de publicar a nossa lista de melhores covers que ouvimos em 2019. Sabemos que estamos um pouco atrasados pois, num piscar de olhos, já estamos na segunda quizena de 2020 e algumas ótimas covers já começaram a pipocar por aí. Mas, para começar com pé direito este ano, nada melhor do que começa-lo com uma enxurrada de boas covers! 

Em 2019 boas cover não faltaram. Chegamos numa incrível marca de 110 covers pré-selecionadas, mas apenas as 50 melhores ficaram. Na lista você vai encontrar "revivals" dos anos 80, tributos, cantor romântico fazendo cover heavy-metal e até covers de músicas atuais que andam "bombando" em alguma rádio FM ou plataforma de streaming deste universo.

Portanto, ouçam, aproveitem e fiquem a vontade para criticar e nos dizer o que ficou de fora de nossa lista ou qual você mais gostou. E que todos tenham um ótimo ano de 2020!

50 Melhores Covers de 2019 - Parte 2: Posição 25 a 1

O Lista Minha traz hoje a seleção feita por Alexandre Dantas. Direto da cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais, Alexandre, que é professor universitário, escolheu com muita maestria 10 covers. E para não "pender" apenas para o estrangeirismo, sua seleção é bem diplomática, contendo ótimas 5 covers nacionais e 5 internacionais.

Assim como o Alexandre, qualquer um pode enviar sua lista de covers prediletas. Você pode selecionar até 10 covers para o e-mail 1001covers@gmail.com ou uma mensagem direta na nossa página do Facebook que nós iremos analisá-la e publicá-la em breve. Pode enviar também covers de sua banda ou grupo musical ou de seu trabalho solo. Participe!

Lista Minha - Alexandre Dantas

Quer participar do tópico Lista Minha do 1001 Covers

Para participar basta enviar sua lista contendo 10 covers de suas músicas prediletas para o e-mail 1001covers@gmail.com ou uma mensagem direta na nossa página do Facebook que nós iremos analisá-la e publicá-la em breve. 

Pode enviar também covers de seus artistas favoritos. Ou ainda, você pode enviar também covers de sua banda ou grupo musical ou de seu trabalho solo.

Se possível nos envie links que ja estejam publicados em sites como YouTube, Vimeo ou Dailymotion. Pode ser também suas músicas publicadas em plataformas como Spotify ou Bandcamp.

Envie também seus contatos, uma breve apresentação de quem é você e uma descrição breve de cada uma das covers. 

Curiosidade: O nome Lista Minha foi "inspirado" pelo título de uma música folclórica gaúcha muito conhecida chamada Prenda Minha, famosa pela versão feita por Caetano Veloso.

Participem!

Lista Minha - Participe

Em maio de 1989, ou para ser mais exato, há 30 anos e 6 meses, era lançado o primeiro disco da banda Stones Roses. E por mais que tenhamos muita informação disponível atualmente, parece que estamos nos esquecendo dos discos que construíram uma história relevante na música contemporânea. The Stone Roses, o álbum homônino, é sem dúvida um destes discos relevantes e, certamente, um dos mais perfeitos discos de estréia de todos os tempos. E não há exageros em tal afirmação. Basta ler as opiniões sobre este disco e depois, obviamente, ouvi-lo e tirar suas próprias conclusões.

Para mim, a perfeição deste disco encontra-se no fato de conseguirem mesclar de uma forma tão coesa e única várias referências musicais e políticas de um jeito fluído e dançante, sem ser rebuscado demais, sem ser rock demais, psicodélico e ao mesmo tempo pop sem ser pop demais. É fácil encontrar no disco influências aqui e acolá das fases mais psicodélica dos anos 60 vindo dos Beatles, Byrds e Kinks. Tudo junto e misturado com as referências dos anos 80 de Clash, New Order e Smiths.

Cover Playlist - 30 anos de The Stones Roses, o disco

A música Gloria na voz da cantora Laura Branigan foi um dos maiores sucessos do começo dos anos 80 e até hoje é muito tocada. Para quem acompanha a NHL, liga norte-americana de hockey no gelo, sabe que essa canção se tornou uma espécie de hino não oficial dos Saint Louis Blues, atual campeão da liga.

Essa música começou a ser tocada nos vestiários dos Blues pelos próprios jogadores e posteriormente passou a ser tocada no seu estádio após cada vitória da campanha do time na temporada 2018/2019, quando sagraram-se campeões pela primeira vez.

0473 - Gloria - Laura Branigan [1982]

Sinto muito em dizer que Girls Just Want To Have Fun não é uma composição original da Cyndi Lauper. Pois é, os anos 80 estão recheados destas surpresas. Muitos hits daquela década se tratavam na verdade de covers e isto era pouco divulgado até com batalhas comerciais e de interesse em relação aos créditos de composição.

Girls Just Want To Have Fun é na verdade uma composição original de Robert Hazard. Filho de um tenor de óperas, a música esteve presente na vida Hazard desde cedo. Durante os anos 70, Hazard com seus 20 e poucos anos já fazia shows em bares e cafés locais na Philadelphia, sua cidade natal. Em 1979, Hazard compôs Girls Just Want To Have Fun em 20 minutos no banheiro. Alguns dias depois, ele a apresentou para Bill Eib, seu gerente musical na época. Eib atualmente famoso por ser um especialista em descobrir novos talentos ficou impressionado com a canção. Hazard disse a Eib “eu escrevi isto em 20 minutos. É uma canção bestinha. O que você achou?”. Eib não podia acreditar que Hazard havia escrito uma canção tão boa em tão pouco tempo.

0472 - Girls Just Want To Have Fun - Cyndi Lauper [1983]

Algumas músicas estão fadadas para sempre serem lembradas por suas covers e não por sua versão original. Já publicamos aqui no 1001 Covers alguns destes casos, como por exemplo o caso de Torn, cuja versão original feita pela banda Ednaswap é totalmente desconhecida do grande público mas a cover foi um sucesso mundial absoluto na versão gravada pela australiana Natalie Imbruglia.

Um caso bem similar ao de Torn é o da canção The Tide Is High. De letra inocente com um refrão pegajoso, The Tide Is High teve sua melodia composta originalmente em 1967 por John Holt, que liderava a banda jamaicana The Paragons.

0471 - The Tide Is High - Blondie [1980]

Com tanto calor por esses dias, caso a chuva não venha, não se pode descartar a possibilidade de termos novos racionamentos de água. E se assim continuar, a seca vem e daí “macambira morre, xiquexique seca e juriti se muda”, assim já dizia o baião Meu Cariri.

Tendo como inspiração a seca do Vale do Cariri da região Nordeste brasileiro, Meu Cariri expõe de forma direta e sem lamentações os problemas causados pela falta das águas que vem do céu. Lançado em 1953 na voz da grande cantora Ademilde Fonseca, o Meu Cariri foi um dos primeiros sucessos feito pelo pernambucano Rosil Cavalcanti – também autor de outros inesquecíveis baiões como Sebastiana e Na Base da Chinela – em parceria com a maranhense Dilu Melo.

0470 - Meu Cariri - Os Diagonais [1969]


Ouvindo o rádio no carro, ontem, quase na hora do almoço, me deparo com o refrão “Quero chorar, não tenho lágrimas, que me rolem nas faces pra me socorrer (...)”. Não deixava dúvidas que se tratava do samba Não Tenho Lágrimas e, pela voz e o estilo, era o mestre Paulinho da Viola na interpretação. No entanto, no mesmo instante, senti que já tinha a ouvido antes, mas não na voz de Paulinho.

Mais tarde, fui buscar na internet e lembrei-me de tê-la ouvido com Nat King Cole no disco A Mis Amigos de 1959 por conta de uma pesquisa sobre covers para a música Perfidia, o famoso bolero de Alberto Domínguez. A Mis Amigos é um excelente trabalho que contém interpretações impecáveis cantadas em espanhol – como é o caso de Perfidia – bem como em um bom português carregado de "sotaque gringo" – como em Não Tenho Lágrimas .

Cover Records - Não Tenho Lágrimas, um dos sambas que aproximou o Brasil dos EUA

Tomar um onibus da tradicional empresa Greyhound, comer as tortas da Mrs. Wagner’s Pie e observar os carros indo e vindo na autoestrada “Turnpike” em Nova Jersey são imagens que retratam os Estados Unidos da América dos anos 60, bem como nos remetem diretamente a famosa canção America (sem acento agudo) da dupla Simon e Garfunkel gravada para o clássico disco Bookends de 1968. 

Em pouco mais de 3 minutos de canção, todo o lirismo de Paul Simon conseguiu criar uma verdadeira odisséia do descobrimento de como era viver naquele tempo nos Estados Unidos da América – a sempre eterna terra da liberdade e das oportunidades. 

0469 - America - First Aid Kit [2012]

Da República da Irlanda, ou Eire, vem o Corrs, a família cantora que já apareceu aqui com um cover do Fleetwood Mac. A banda fez enorme sucesso, principalmente, na década de 1990, tanto pelo talento dos irmãos Corr quanto pela beleza deles.

Uma família com formação clássica que sabe tocar instrumentos não tão populares e que ganhou o público com essa mistura do clássico destes instrumentos com a música pop. Apesar de no vídeo dessa música eles só se utilizarem de guitarra e bateria...

0468 - What Can I Do? - Snow Patrol [2000]