Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

0276 - Walk this Way - Run-D.M.C [1986]

O Aerosmith foi formado em Boston em 1971 e, em seu terceiro álbum Toys in the Attic (já comentado aqui) gravaram a música-tema desta postagem.
O álbum é considerado um clássico do rock'n roll, rock'n roll que quase foi para o espaço com os problemas da banda com drogas e brigas entre os compontes.








Viveram praticamente um período de ostracismo até 1986... quando foram redescoberto pelo Run-D.M.C...
Sim, o trio novaiorquino é considerado como os caras que trouxeram o Aerosmith ao sucesso, tanto que, depois dessa cover, os álbuns do Aerosmith (com a volta de Joe Perry também) engrenaram novamente.

O Run-D.M.C. também pode dizer que colheu os frutos com a parceria...

Pra quem não conhece absolutamente nada dos caras: eles se conheceram na escola, no Queens, onde estudavam, Joseph "Run" Simmons, Darryl "D.M.C." McDaniels e Jason "Jam-Master Jay" Mizell participavam de apresentações (separadamente) de hip hop pela vizinhança até que numa dessas apresentações por parques da região, surgiu a ideia mágica de formar um grupo.
Começaram a fazer relativo sucesso e o segundo álbum dos caras King of Rock, de 1985, tornou-se bem conhecido do público da MTV com o vídeo de mesmo nome do álbum, o primeiro vídeo de rap apresentado na MTV norte-americana.
E... em 1986, com o álbum Rasing Hell consolidaram sua carreira com um dos álbuns de rap mais conhecidos e vendidos do mundo.

E lá está Walk this Way...






(o clipe é muito legal! essa união de rock e rap que começa com provocação... e a dancinha do Steve Tyler com os rappers... da hora! rs)


O sucesso continuou, trabalharam como produtores e continuaram na estrada até que há quase dez anos, em 2002, Jay foi morto a tiros em seu estúdio. Acredita-se que por traficantes da região que foram "delatados" em uma música do rapper...
Neste contexto triste, os outros integrantes preferiram aposentar a banda, para tristeza dos fãs do verdadeiro hip hop.



*Lembrei dessa cover assistindo Todo Mundo Odeia o Chris, numa das imitações do jovem Chris com o Diretor da escola, um sujeito bem conhecido dos fãs de Seinfeld...



Domingo, Janeiro 29, 2012

Cover Records - Brian Wilson Reimagines Gershwin [2010]

Minha recente apreciação pela música de George Gershwin e Ira Gershwin está muito vinculada a gostar de canções classificadas como Standards do jazz norte-americano, como They Can’t Take That Away From Me ou Summertime. Foi ouvindo estas e outras grandes canções nas vozes de Sinatra, Ella Fritzgerald, Billie Holliday e Brian Wilson que descobri Gershwin e sua importância.

(Oops! Ele disse Brian Wilson?) Pois é, Brian Wilson sim. Como disse, minha maior curiosidade e apreciação pelos Standards do jazz começaram há 3 anos mais ou menos. Graças aos torrents e a banda larga, que comecei a interar-me sobre o estilo. Foi quando mais ou menos na mesma época saiu o disco Brian Wilson Reimagines Gershwin. 

Para quem não sabe, Brian Wilson é um gênio musical que ao lado de seus irmãos Carl e Dennis, do primo Mike Love e do amigo Al Jardine, fundaram o grupo The Beach Boys em 1961 em Hawthorne, Califórina, EUA. Sempre gostei das músicas do grupo, principalmente as do disco Pet Sounds. Mas nunca pensei que Brain tivesse sido influenciado pelas composições dos irmãos Gershwin. Sempre gostei muito dos arranjos orquestrais contidos em canções como Good Vibrations ou God Only Knows. Entretanto nunca pensei Brian pudesse ter se inspirado de alguma forma nos arranjos de George Gershwin até conhecer este tributo e ver o vídeo a seguir...


É bem provável que Brian Wilson nunca tenha explorado tanto as ondas jazzísticas como ocorreu neste trabalho tributo, mas é fato que ele não tomou caldo não, como podemos conferir nas faixas I Love You Porgy, Summertime e It Ain't Necessarily So – onde se manteve praticamente intactos os arranjos originais, além de Brian interpretá-las como um verdadeiro jazz crooner

Já a versão de I’ve Got A Crush On You parece ter saído diretamente de 1964, era pós British Invasion, ganhando uma sonoridade mais parecida com as baladas rock, aquelas do tipo lullaby. E a bebop  I Got Rhythm  foi transformada em surf music – uma onda mais parecida com a dos Beach Boys. Mas para mim, a faixa que melhor representa a fusão Brian Wilson / Beach Boys / Gershwin está incorporada nesta cover de They Can’t Take That Away From Me.


Além das ótimas re-interpretações, Brian Wilson Reimagines Gershwin trouxe também duas canções inéditas baseadas em fragmentos deixados por George Gershwin: The Like In I Love You e Nothing But Love. Ambas as canções, por assim dizer, finalizadas por Wilson contaram também com a colaboração do multi-instrumentista Scott Bennett. Com toda esta injeção de ar fresco sobre a clássica obra dos irmãos Gershwin, não há como dizer que este tributo é uma simples homenagem feita Brian Wilson. 

Certamente Wilson conseguiu com este trabalho por em prática o seu título: reimaginou os grandes clássicos de Gershwin. É boa música para nenhum fã de Gershwin (né Garota no hall), jazz, Beach Boys e de boa covers se decepcionar. 

01. Rhapsody in Blue/Intro
02. The Like In I Love You
03. Summertime 04. I Loves You, Porgy
05. I Got Plenty o' Nuttin'
06. It Ain't Necessarily So
07. 'S Wonderful
08. They Can't Take That Away from Me
09. Love Is Here to Stay
10. I've Got a Crush on You
11. I Got Rhythm
12. Someone to Watch Over Me
13. Nothing But Love
14. Rhapsody in Blue/Reprise

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

0275 - Tell Me Why - Norah Jones [2010]

Pra executar uma cover de qualquer canção da lenda Neil Young tem que ter culhão. E ainda torcer para não passar vergonha. Senão vejamos, o cara é simplesmente uma das mentes mais sensíveis e talentosas do rock and roll. Como tentar superar, ou ao menos igualar, esse nível de refinamento artístico da interpretação do canadense?

Pois bem, mesmo com a ausência de um culhão propriamente dito, uma pequena gigante originária do mundinho jazzístico - e que já marcou presença aqui nas terras do 1001 covers - chegou lá. Com uma (aparente) facilidade invejável.

Tell Me Why é "biscoito" irretocável daquele que podemos considerar o auge criativo do velho Neil. Começo dos anos 70, movimento hippie caindo "na real", e o sujeito lá solitário, com seus vinte e poucos anos nas costas, meio perdido, "cuspindo" um arsenal de composições folk/rock que entrariam para o panteão das obras primas da música pop. Alocada como primeira faixa do antológico e auto-explicativo After The Gold Rush, não deixa arestas.


Mesmo diante de tal perfeição emocional e lírica, Norah Jones conseguiu arrancar algo a mais da canção, injetando frescor e jovialidade na melancolia simples e visceral da versão original, e sem qualquer débito. Isso foi em 2010, em um concerto filantrópico produzido em homenagem ao próprio Neil Young pela fundação MusiCares, que trabalha para levantar fundos monetários para ajudar músicos que passam por problemas financeiros ou de saúde, confiram:

Sailing heart-ships
Thru broken harbors
Out on the waves in the night..


Na minha modesta opinião, esse petardo-gostosura da moça tinha que marcar presença aqui na nossa enciclopédia do "filé mignon" do "oceano" cover. Não concordam?