0118 - Era Um garoto Que Como Eu Amava Os Beatles E Os Rolling Stones - Os Incríveis [1967]

Versão Brasileira... Herbert Richers... Quem não conhece essa frase?

A grande maioria dos filmes dublados que vimos na TV durante boa parte de nossas vidas começavam com o locutor dizendo "Versão Brasileira: Herbert Richers" ou, claro, BKS, VTI Rio etc.

E algumas das músicas postadas aqui são versões...

E nós aqui do 1001 Covers andamos numa grande dúvida: versão é o mesmo que cover? Uma música originalmente, por exemplo, em inglês, quando feita sua versão em português pode ser considerada uma cover? Igual as músicas dos Beatles gravadas pelo Renato E Seus Blue Caps? Em que a letra não tem nada da original, é mesmo uma cover???

Mesmo com esse dilema, posto mais uma original italiana, sua cover e duas versões brasileiras dela.

Gianni Morandi, famoso cantor italiano nos anos de 1960, gravou a pedido do compositor Mauro Lusini esta canção. Ele fez a primeira versão em inglês, macarrônico, e mostrou a Gianni, que adorou e gravou como single em 1966, já reescrita em italiano. Os arranjos do single ficaram por conta de Ennio Morricone - sente o poder rs.

Gianni cantou C'era Un Ragazzo Che Come Me Amava I Beatles E I Rolling Stones num festival da canção em Roma: Festival delle Rose. Virou história: a música foi censurada para a TV durante o Festival.


Ou seja: o trecho não foi exibido na televisão graças à rigida censura da época que vetava qualquer polêmica sobre a escolha política de um país "amigo". E esta é a minha versão em português do trecho acima... em outro trecho dizem que a cena foi cortada pela RAI e que a música era tocada nas rádios sem o nome Vietnã ou Vietcongs, trocaram também pelo trecho ratatátá.


No mesmo single, a título de curiosidade, temos a música Se Perdo Anche Te, cover/versão de Solitary Man de Neil Diamond, cantor já teve presença no nosso blog.

Joan Baez também fez cover desta música de protesto, em italiano, e olha que ela tem um italiano muito bom!


No Brasil a música fez muito sucesso com Os Incríveis, numa versão para o português feita pelo jornalista Brancato Júnior.

O LP dos Incríveis que continha esta canção chamava-se Para os Jovens que Amam os Beatles, os Rolling Stones e Os Incriveis, mais direto impossível! (Poderia até dizer Zé Simão rs).

Com o auge da Guerra do Vietnã, a música atravessou barreiras entre países para falar de um cara que perde a melhor fase da sua vida (e sua vida) quando vai para a guerra...


Nos anos de 1990 o Engenheiros Do Hawaii regrava essa cover no seu LP/CD O Papa é Pop, de 1990. A banda alcança um sucesso absurdo nesta época, graças ao garoto que foi para o Vietnã. Claro que o restante do CD também faz muito sucesso, mas muito mais impulsionado por esta versão/cover.

Com o começo da Guerra do Golfo no mesmo ano, a música acabou alçada ao sucesso graças lembrança de um época que parecia se repetir naquele momento. Pais que viveram à epoca da guerra, nos anos de 1960, relembravam a canção e os acontecimentos e filhos se sentiam como fazendo parte de algo maior e protestando também, com uma música de 25 anos.

Lembro de um programa da TV Cultura, o Matéria-Prima do Serginho Groissman - foi lá que ele começou o seu fala, garoto! - especial Engenheiros (eles eram uma febre). Serginho perguntou a Humberto Gessinger por que regravaram esta canção e a resposta do vocalista foi: era a única música, sem ser as nossas, que sabíamos tocar de cor... que tiro no escuro! que coincidência feliz para eles! Uma música que sabiam tocar, resolveram pôr num cd e com os acontecimentos políticos da época os elevam ao estrelato, de banda de alguns sucessos para fenômeno de vendas e shows.

Eu não era fã do Engenheiros (e não sou rs), ouvia na boa as músicas deles, até pegar birra justamente nesse programa, quando alguém da plateia perguntou a eles o que achavam do New Kids On The Block (da qual eu era uma fã histérica rs) e a resposta foi "massificação"...

E todo o sucesso dos Engenheiros foi o quê, hein Humberto? rs


E agora para vocês mais um tipo de versão, a acústica...


Menina Enciclopédia

3 comentários:

  1. Menina, penso que versão, mesmo sendo em outro idioma pode ser encarado como uma cover. Segundo o Wikipedia, isto é possível. Veja:

    A song may be covered into another language. For example, in the 1930s, a recording of Isle of Capri in Spanish, by Osvaldo Fresedo and singer Roberto Ray, is known. Falco's 1982 German-language hit "Der Kommissar" was covered in English by After the Fire, although the German title was retained. The English version, which was not a direct translation of Falco's original but retained much of its spirit, reached the Top 5 on the US charts. "The Lion Sleeps Tonight" evolved over several decades and versions from a 1939 Zulu a cappella song. Many of singer Laura Branigan's 1980s hits were English-language remakes of songs already successful in Europe, for the American record market. Numerable English-language covers exist of "99 Luftballons" by German singer Nena (notably one by punk band Goldfinger), one having been recorded by Nena herself following the success of her original German version. "Popcorn", a song which was originally completely instrumental, has had lyrics added in at least six different languages in various covers. During the heyday of Cantopop in Hong Kong in the late 1970s to early 1990s, many hits were covers of English and Japanese titles that have gained international fame but with localised lyrics (sometimes multiple sets of lyrics sung to the same tune), and critics often chide the music industry of shorting the tune-composing process.

    ...

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  2. ah, faltou dizer que esta cover dos engenheiros é boa. nesta época o rock gaucho comandava as rádios

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