0163 - Always Look On The Bright Side Of Life - Art Garfunkel [1997]

Em 1969, o rock'n'roll já estava enraizado nos lares e na cultura da Grã-Bretanha. Com as revoluções sexual e estudantil, a juventude, cansada do moralismo herdado das décadas de 40 e 50, se rebelou contra os costumes e a moda. Mais politizada e crítica, gritou contra a guerra do Vietnã e pregou o amor livre. Foi nesse contexto histórico-social que cinco estudantes britânicos das universidades de Oxford (Terry Jones e Michael Palin) e Cambridge (Graham Chapman, John Cleese e Eric Idle) se conheceram e formaram, com o norte-americano Terry Gilliam (responsável pela psicodélicas animações), o Monty Python.

O programa Monty Python's Flying Circus, transmitido pela BBC entre 1969 e 1974, teve grande impacto tanto na forma de fazer humor - inspirada nos irmãos Marx, eu diria - como na cultura pop em geral. Longe da TV, o grupo ainda produziu e estrelou três longas para o cinema: Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail,1975), A Vida de Brian (Monty Python's Life of Brian,1979) e O Sentido da Vida (Monty Python's The Meaning of Life, 1983). Destes, A Vida de Brian se destaca como o mais polêmico, sendo até acusado de blasfêmia pela Igreja. O motivo? A trajetória do personagem-título, Brian Cohen, é uma sátira ao Messias e ao fanatismo religioso. E é justamente desta obra-prima, com produção executiva de George Harrison, que saiu a mais famosa canção do Monty Python: Always Look On The Bright Side Of Life. Escrita e cantada por Eric Idle (os assobios foram ideia de Neil Innes, constante colaborador do grupo), a canção aparece no final do filme e se estende até os créditos. Confira a cena logo abaixo:


E agora, para algo completamente diferente... Art Garfunkel, a eterna metade do Simon & Garfunkel, gravou Always Look On The Bright Side Of Life para a trilha de Melhor É Impossível (As Good As It Gets, 1997), dirigido por James L. Brooks e estrelado por Jack Nicholson, Helen Hunt e Greg Kinnear. Assim como em A Vida de Brian, a música toca no final dessa comédia dramática, mais precisamente durante os créditos. (No filme há também uma cena em que Nicholson a toca no piano - assista aqui.) A versão de Garfunkel tem um ar mais clássico - e até religioso -, com um coral harmonizando sua voz com os assobios. Ele ainda troca o verso "Life's a piece of shit" por "Life's a counterfeit", tornando o manifesto irônico de Eric Idle mais correto. Aliás, a música foi originalmente pensada como uma paródia àquelas canções positivas das produções da Disney, nas quais a vida é mágica e o mundo, colorido - algo que a própria cena final do filme do Monty Python nega, com um bando de crucificados largados à morte em um deserto ventoso e opaco.

Anômima

Um comentário:

  1. Esta cover do Art Garfunkel é mais triste e com "ar" religioso mesmo...ainda assim uma boa adaptação da versão original.

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