0179 - I Wanna Be Adored - The Raveonettes [2010]

Quando começei a me interessar por Britpop, com a explosão do Oasis no mundo inteiro em meados da década de 90, logo tentei pesquisar mais sobre outros artistas que haviam influenciado ou que perteciam àquele estilo. Como a internet não existia de forma massiva para a população, costumava pesquisar em revistas e ver clipes nos extintos programas da MTV brasileira, donde me deparei com os Stone Roses.

A banda nascida em Manchester, Inglaterra, no meio da década de 80 era formada inicialmente por Ian Brown (vocalista), John Squire (guitarrista), Reni (baterista), Andy Couzens (guitarrista) e Peter Garner (baixista). O estilo da banda basicamente se resumia na atitude egocêntrica de Brown nos vocais e nos potentes riffs de guitarra de Squire. Anos mais tarde, Manchester daria ao mundo outras bandas, como o próprio Oasis, que adotou várias características da banda, como a maneira de Liam cantar e se portar em palco, e a valorização dos riffs de guitarra nas composições de Noel.

Em 1987, após os Stone Roses lançarem seu primeiro single, So Young, Peter Garner sai da banda e é substituído pelo baixista Gary Mounfield, mais conhecido como Mani. E foi com esta formação clássica que a banda lança seu segundo single, Sally Cinnamon, e meses mais tarde, seu primeiro álbum, de título homônimo, o espetacular Stone Roses.

Tudo o que eu li, via e ouvia sobre o Stone Roses era simplemesmente excelente. Daí, já com uma velha internet discada a mão, perdi algumas madrugadas tentando baixar arquivos mp3 no Napster – todo o esforço para conseguir uma, duas ou três canções no máximo. Por isto que a minha primeira atitude ao entrar numa loja Best Buy, quando estive em 1999 nos EUA, foi adquirir um CD do disco Stone Roses.

A faixa que abre o disco é I Wanna Be Adored. Esta canção é uma espécie de cartão de visitas do Stone Roses. Ela traz consigo todas as características do que viria a ser o Britpop. Sua letra é curta e enigmática. Os primeiros versos da canção dizem: “I don’t have to sell my soul / It’s already in me” (“Eu não tenho que vender minha alma / Ele já está em mim”). E depois, inicia-se uma espécie de “mantra”, onde Ian Brown canta por quase 3 minutos a mesma frase: “I wanna be adored” (“Eu quero ser idolatrado”) - tão egôcentrico como Ian. Também podemos notar uma valorização das guitarras e do baixo; a bateria de Remi por sua vez era o beat dance que completava aquela revolução musical, uma espécie de “revolução classicista” que atualizava a psicodelia pop dos anos 60 justamente numa era de "explosão" da house music britânica do final dos anos 80.


Poucas vezes na história do rock um disco foi tão influente quanto Stone Roses. Podemos também afirmar que o Britpop dos anos 90 copiaria integralmente o estilo, as temáticas das canções, a incorporação de elementos eletrônicos nas músicas. Enfim, o britpop dos anos 90 copiaria tudo que este disco trouxe para a cena do rock alternativo britânico.

E tão influente quanto o debut dos Stones Roses são as botas projetadas pelo Dr. Martens...

Klaus Martens era médico no exército alemão durante a II Guerra Mundial. Enquanto estava de licença em 1945, Martens machucou o tornozelo quando esquiava. Ele descobriu que as botas militares eram desconfortáveis, o que favoreceu sua contusão. Enquanto se recuperava, ele projetou melhorias para as botas, como o couro macio e solas com amortecimento, dando origem as botas Dr. (ou Docs) Martens – também conhecida como Coturnos ou Sapaturnos.

Inicialmente adotados pela classe operária, as botas Docs Martens se tornaram famosas no mundo inteiro ao calçar os punks nos anos 70. Posteriormente, as botas viraram objeto de desejo da moda e da cultura urbana. Famosos estilistas criaram versões elegantes e sofisticadas para as botas. De fato, de Johnny Rotten dos Sex Pistols ao ator Johnny Depp, passando pela modelo Kate Moss e Kurt Cobain do Nirvana, todos calçaram um par de Docs Martens ao menos uma vez na vida.

Neste ano, a famosa bota alemã completou 50 anos de existência. Para comemorar, a empresa detentora da marca criou uma exposição sobre as botas, lançou uma edição ilimitada contendo os mais variados modelos e cores, e, de quebra, chamou 10 artistas para gravar covers que representassem o espírito e a atitude de pessoas que usaram um par de Martens nestes últimos 50 anos.

O duo dinamarquês The Raveonettes, que mistura rock e música eletrônica, foi um dos artistas convidados. E a música escolhida por eles foi justamente I Wanna Be Adored dos Stone Roses.

Aliás, podemos dizer que foi uma escolha certeira dos dinamarqueses, afinal um símbolo de toda uma geração da contracultura combina bem com a canção símbolo que marcaria toda uma geração.

Persiolino

5 comentários:

  1. o clipe do raveonettes me lembrou aquele filme dos anos 70 (acho) "ensina-me a viver", só que lá a senhorinha ensinava um rapaz a ser alegre.

    ResponderExcluir
  2. Fui eu quem indicou essa cover pro Persiolino hahaha. #pedante

    ResponderExcluir
  3. Achei a versão bem fraca...frouxa. Essa é a minha música preferida dos Stones Roses, talvez por isso me decepcionei.

    De qualquer forma, o blog é genial, descobri ontem por acaso e virei fã

    ResponderExcluir

Comente aqui!!!