0271 - This Must Be The Place (Naive Melody) - Arcade Fire [2005]

Sabe aquela antiga frase que diz: “um bom clássico nunca envelhece”. Pois eu acho seu teor muito verdadeiro. E quando observado do ponto de vista musical, a máxima parece fazer mais sentido ainda. Lembrei-me dela dias atrás, pois minha audição sofreu um ataque massivo de Talking Heads e Michel Teló. Explico...

É, as vezes isto acontece comigo; me dá uma vontade de relembrar as músicas de uma banda que você gosta muito, porém a mesma estava lá, com um CD empilhado em sua prateleira empoeirada – aliás, prateleira esta que aparece como papel de parede deste blog. Liguei o som do meu quarto e botei pra tocar uma coletânea da banda de David Byrne, Chris Frantz, Tina Weymouth e Jerry Harrison. Foi na passagem de 2011 para 2012 que fiquei com vontade de cantar “Psycho killer, qu'est-ce que c'est... Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Far Better” ou “Wild Wild Wild”. Mas como não sou surdo e não estou alheio ao mundo, passando pelo dial do meu som, apareceu aquele ritmo característico com aqueles versos que grudam na cabeça: “Delícia, delícia...ai seu te pego, ai ai se eu te pego...”.

Sei que vou parecer clichê mas “delícia” mesmo é curtir This Must Be The Place (Naive Melody) relaxado na poltrona reclinável do vovô, com os pés esticados na mesinha de centro, tomando uma gin tonica? (O único problema é que ao ouvir This Must Be The Place você vai querer se levantar para remexer o quadril).


Depois de muito ouvir as músicas dos Heads e também ser bombardeado por Ai Se Eu Te Pego, tive a certeza de que, em pleno anos 2010, já não fazem mais músicas como antigamente. E, mesmo após quase 30 anos, percebi que atual mesmo é o trabalho Talking Heads e não esse tal de sertanejo universitário. Basta dar uma olhadinha na qualidade da apresentação deste vídeo anexado logo acima, retirado do show documentário Stop Making Sense de 1984.   

É preciso dizer aqui que não tenho nada contra o cantor Michel Teló e seu sucesso mundial – que, diga-se de passagem, surgiu de forma praticamente espontânea pela internet. Só não gosto deste tipo de música e do seu conteúdo – mas respeito quem gosta. Também não gosto do jeito que a mídia começa explorar demais estas situações. E depois ainda me vem uma publicação de prestígio no país com uma capa dessas. Mas enfim, este tipo de super sucesso e exploração são passageiros; as pessoas acabam enjoando e anos depois se esquecem – hey alguém aí se lembra da Milla ("Oww Miiiillaaaa, mil e uma noites de amor com você") ou de Se Ela Dança Eu Danço ("Falei pro DJ")?

Mas com os clássico é diferente. Pode entrar ano ou sair ano, e os clássicos permanecem lá, num catinho especial de seu "arquivo" musical. E, de alguma forma, eles se tornam praticamente eternos. Por vezes, acabam até ganhando homenagens, como é o caso deste cover feito em 2005 pelo Arcade Fire para This Must Be The Place. De tão boa que ficou, o cover "pegou" de jeito a atenção do ator e produtor Sean Penn. Segundo tablóides americanos, o ator convidou a banda canadense para tocar esta canção para a trilha filme homônimo em que ele atua. Dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino, This Must Be The Place (2011) conta estória de um rock star decadente que deixa a tranquila Dublin para ir a Nova York ver o enterro de seu pai, com quem não se encontrava havia 30 anos.


Apesar do convite, a trilha sonora não conta com este cover do Arcade Fire. Mas dele surgiu a parceria de Byrne e Will Oldham (vocalista do Arcade), que compuseram músicas inéditas para o filme.

Lançado em Agosto de 2011 nos EUA, This Must Be The Place tem previsão de estréia nas telonas brasileiras em Março de 2012. Já o fim do sucesso de Ai Se Eu Te Pego não tem previsão por enquanto. Só o tempo nos dirá...

Persiolino

2 comentários:

  1. Vale pela releitura sonora - senti falta do vocal inimitável do David Byrne, talvez o cara do Mystery Jets conseguisse cantar melhor.

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  2. esse filme com o Sean Penn passou meio batido em Londres, passou, mas sem muito comentário, lembro de ter visto uma propaganda dele em cinemas mais alternativos, como o cinema onde vi Tropa de Elite 2, o Prince Charles (nome do cinema rs)

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