0278 - Todo Carnaval Tem Seu Fim - Maria Rita [2005]

Os ossos do ofício, lá nos idos de 2009, me obrigaram a tomar a ponte aérea Rio São Paulo toda segunda-feira pela manhã em Congonhas e sexta-feira no final da tarde na cidade maravilhosa durante 8 meses consecutivos. Nessas viagens, era muito comum se deparar com um(a) famoso(a). Num destes retornos, do Rio para Sampa, não exatamente uma dessas figuras da mídia me chamou a atenção. E sim, um primogênito de uma dessas figuras...

Eu sentado no corredor, minha amiga sentada no outro corredor e ao lado dela uma senhora acompanhada de um menininho com mais ou menos 4 anos. No meio do voo, o menino se levanta e começa andar no meio do avião de um lado para outro. Um pouco agitado, mas tudo muito normal para uma criança de apenas 4 anos, impaciente com a viagem. Depois de certo tempo, este menino começa a puxar papo com minha amiga. Ele perguntava meio tímido: “Você vai no show da minha mãe?” E depois de 1 segundo ele me retornava com a mesma pergunta: “Você vai no show da minha mãe?”. Logo uma pergunta se estabelecia na pequena conversa: “Quem é a sua mãe?”. E a gente emenda outra: "Qual o seu nome?". E o menino, meio que balbuciando e tímido, responde, sai andando de lá pra cá de novo, mas não foi possível compreende-lo.

A gente pergunta de novo e eis que a simpática senhora que acompanhava o menino, responde: “O nome dele é Antonio e a mãe dele é a Maria Rita e eu sou a avó dele.” (E é claro que aquela senhora era a sogra de Maria Rita).

Pode-se dizer que aquele fato foi praticamente um meu "primeiro contato com o trabalho" da cantora, filha da grande Elis Regina. Logicamente, já conhecia algumas músicas interpretadas por Maria; acho que efetivamente a primeira música que eu ouvi de seu repertório foi a versão de Encontros e Despedidas, composição Milton Nascimento e Fernando Brandt, por ter sido utilizado como tema de abertura de novela. Mas não só de compositores medalhões é feito o repertório da cantora. Não é incomum encontrar faixas nos discos da Maria Rita composta pela da safra dita "mais jovem" de compositores da música brasileira, como Lenine, Marcelo Yuka, Paulinho Moska e Marcelo Camelo.

Aliás, falando em Camelo, acho que a "maior culpada" pela “intelectualização” da música dos Los Hermanos é a própria Maria Rita. Muito antes de Vanessa da Matta ou Mariana Aydar cantarem sucessos da banda carioca, Maria Rita em 2003 já reinterpretava Veja Bem Meu Bem, sucesso do disco Bloco Do Eu Sozinho dos Los Hermanos, presente em seu disco de estréia. E daí em diante a impressa especializada começou a elevar o lirismo de Camelo ao mesmo patamar de Chico Buarque - o que para mim não faz sentido algum. Hoje, acho que o Camelo se aproveita um pouco desta "fama" de compositor MPB intelectualizado; acho que ele tem muito talento, e gosto muito de suas composições. Mas enfim, a Maria Rita deu uma ajudinha nisso né...

Além de Veja Bem Meu Bem, em suas apresentações ao vivo, a cantora também já reinterpretou Todo Carnaval Tem Seu Fim, sucesso do disco Ventura de 2003 - talvez a minha música predileta da banda.

Aqui, o clipe oficial de Todo Carnaval Tem Seu Fim dos Los Hermanos, que lembra muito o jeitão do clipe da música Undone (The Sweater Song) do Weezer.


E aqui a excelente cover de Todo Carnaval Tem Seu Fim por Maria Rita, gravado no extinto (que pena) programa da TV Cultura, Bem Brasil em 2005, com um arranjo meio jazz, mas com a presença marcante do tamborim na percussão dando aquele ritmo gostoso de todo Fevereiro.


Persiolino

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