0364 - Mesmo Que Seja Eu - Ney Matogrosso [2000]

Hoje vamos falar de dois ícones e peças essenciais da música popular brasileira, sendo que um deles comemorou 72 anos de vida nesta  última quinta-feira, e o outro há quase dois meses atrás. Patrimônios Públicos.

"Tremendão" dispensa apresentação, mas vamos lá, pra moçada que ainda mal ouviu falar do sujeito, Erasmo Esteves, ou Erasmo Carlos, formou com Roberto Carlos, ou Roberto Carlos Braga, aquilo que poderíamos chamar de a versão tupiniquim da dupla Lennon/McCartney pré-1966 (entendedores entenderão). Também é um dos sujeitos mais subestimados da indústria pop brasileira.

Erasmo escreveu Mesmo Que Seja Eu no começo dos anos oitenta, sendo que a mesma se encontra no setlist da "bolacha" Amar pra Viver Ou Morrer de Amor (1982). Na minha modesta opinião é uma das melhores músicas do pop brazuca. Simples, direta, semi-brega, irônica, divertida, bem escrita. Aqui temos a dita ao vivo na voz de seu autor:


Ney Matogrosso é Ney de Souza Pereira. Um artista sui generis, tanto no nacional como no internacional. Talvez o único outro artista com quem possamos fazer uma leve comparação no quesito eu-sou-único-não-dá-pra-comparar seja David Bowie

Ney foi vocalista de uma banda que, na opinião deste escriba, divide com os Mutantes a dianteira do que melhor se produziu no rock and roll destas terras sub-equatorianas, a seminal Secos & Molhados. Só por isso o sujeito já estaria cravado entre os grandes da música, mas além disso desenvolveu uma consistente e prolífica carreira solo de quase 40 anos.

Após os shows que se seguiram ao lançamento do seu álbum Olhos de Farol em 1999, Ney produziu um DVD ao vivo onde lançou mão de uma cover classudíssima do petardo do "Tremendão", confira:


O que eu mais me chama a atenção é o contraste saindo da, digamos, severa limitação carismática do Erasmo pra uma explosão de extroversão e carisma, que dá uma outra pulsação pra canção e lança ainda mais ironia na bagaça, jogando aí pra questão do preconceito sexual.

Belezura.

E de brinde, por indicação da nossa colega colaboradora Cristina Traskine, dispeço-me dos senhores com esse clipe levemente constrangedor, com a participação do cowboy-"rei", ali na mesa do bordel. O clipe foi feito especialmente pro tradicional especial de fim de ano da realeza-tupinambá-crooner.


Alexandre

5 comentários:

  1. Ale, vc tirou esta do fundo do baú!

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  2. Essa versão do Ney é excelente, incomparável. A maneira que ele grita "Eeeeuuuu" !!! no início do refrão, incitando a reação da plateia é simplesmente genial. O fato da gravação ser ao vivo valorizou muito. E como vc mesmo disse essa versão é mesmo "classuda" rss.. Ney coloca classe em tudo que canta. Parabéns pelo post, muito bom.

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  3. Obrigado Fabrício. E Pérsio, essa não podia ficar de fora aqui da nossa enciclopédia.

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