Trash Covers - Keith Richards e Norah Jones - Love Hurts

Love Hurts é um clássico inconteste do que se convencionou rotular como "rock brega", e da música pop de uma maneira geral. Daquelas canções em que um executivo novilho de Wall Street e um vendedor de tapetes persas ancião em Istambul conseguem atingir a mesma pontuação no "karaokê de banheiro".

A música ganhou esse rótulo e atingiu tal grau de notoriedade graças a banda Nazareth, que em 1975 cravou a canção no setlist do álbum Hair Of The Dog. Confira o clipe feito pela banda, e caso você nunca tenha ouvido esses acordes de hard rock "mela cueca" e esse vocal rasgado pelo menos uma vez na sua vida é melhor pegar suas trouxas e voltar pra Marte:


O que muita gente desconhece é que a gravação da banda escocesa já era uma versão cover. A original da canção escrita pela dupla de compositores Boudleaux e Felice Bryant foi feita em julho de 1960 pela dupla norte-americana The Everly Brothers, para o álbum A Date with The Everly Brothers. A vibe balada é a mesma, mas aqui temos a "arquitetura pop" pré-Beatles no seu auge:


Desde que a original foi lançada, pelo menos outras 50 versões (!) da canção foram gravadas - segundo a Wikipedia. Dentre essas, existe uma que se destaca pela desconstrução, no pior sentido que a palavra possa ter, da música.

Em 2004 ocorreu uma reunião de artistas em um show tributo para o cantor e compositor Gram Parsons, que gravou uma versão cover para a mesma música no começo da década de 70, pouco antes da sua morte, por overdose de morfina e tequila.

Nesta apresentação uma inusitada parceria entre a cantora Norah Jones e o guitarrista da banda Rolling Stones Keith Richards tomou forma, resultando no "assassinato" meticuloso de Love Hurts que você confere a seguir:


Bom, não há muito o que comentar. Não há ritmo, não há entrosamento, não há afinação (por parte do ótimo guitarrista mas ainda um possível projeto de cantor chamado Keith Richards), não há feeling. Em suma, está tudo errado.

E assim nasceu uma trash cover de muito respeito.

Alexandre

5 comentários:

  1. Ale, até concordo que a dupla ai não esteja tão afinada assim...e por isto mesmo acho que versão é das melhores. mas tbm não acho que deveria ser considerada uma trash cover...

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  2. Será Pérsião? Não dá pra questionar o talento dos dois, mas essa versão específica eu acho que não funcionou. Eu voto pra "trash cover" nessa, com muito esforço e benevolência poderia rolar um "average cover", mas como não temos esse tópico. rs

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    1. Eu escrevi errado. Corrigindo, por isto mesmo acho que a versão NÃO é uma das melhores.

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  3. Se já foram gravadas várias versões da música, uma 'diferenciada' é bem vinda, no caso foi apenas mais uma em um evento tributo, sem o propósito de eternizá-la, se aconteceu é porque ficou boa, além do mais não vi desafinação, só saiu do tempo algumas vezes, e a Jones nem ensaiou direito, foi intimada em cima da hora.

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    1. É, as vezes, o que sabe faz ao vivo pode dar errado. Acho que foi por este ponto de vista que o Alexandre considerou esta versão com sendo ruim, trash. Mas Adalberto, sua colocação é bem pertinente e foi bem observado. A Jones não se preparou. Se ela tivesse se preparado talvez a cover teria sido melhor avaliada

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