0454 - The Long And Winding Road - Aretha Franklin [1972]

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Sua linda melodia logo de cara emociona até o mais durão dos ouvintes. Em minha opinião, The Long And Winding Road está entre as 5 melhores baladas dos Beatles. É também uma canção com a marcada registrada de Sir. Paul McCartney.

Conta a história que Paul a escreveu inspirada pelos caminhos sinuosos da estrada B842 que liga a costa leste de Kintyre a cidade de Campbeltown, próxima de uma propriedade da família McCartney na Escócia. Na época em que a escreveu, em 1968, os Beatles passavam por uma fase de grandes brigas e McCartney e Jane Asher, sua noiva até então, terminavam um relacionamento de cinco anos. De fato, The Long And Winding Road possui uma letra triste. Segundo as próprias palavras de Paul McCartney sobre esta canção, que consta na biografia Many Years From Now escrito por Barry Miles: “Eu estava um pouco sem chão naquele momento. É uma música triste porque é tudo sobre o inatingível; a porta que você nunca alcança. Esta é a estrada que você nunca chega ao fim”.

Esta canção chegou a ser gravada como demo para o projeto do White Album em 1968, porém só foi realmente gravada pelas integrantes do Beatles em janeiro de 1969 para o álbum jamais lançado Get Back. Porém a versão definitiva lançada em 1970 no disco Let It Be gerou muitas polêmicas pois inicialmente, Phil Spector sobrescreveu partes da música com ajuda do engenheiro Allen Klein, colocando orquestra e coral, sem anuência de Paul. Estas mudanças deixaram Paul enfurecido que conseguiu impedir que The Long And Winding Road fosse lançado como single no Reino Unido. Contudo, Paul não conseguiu impedir que o single fosse lançado nos EUA, onde logo alcançou o primeiro lugar da Billboard Hot 100 em 13 de Junho de 1970. Este foi o último single da história dos Beatles a figurar em primeiro lugar nos EUA.


Infelizmente, no último dia 16 de Agosto de 2018 a vida de Aretha Franklin chegou ao fim. A Rainha do Soul como era conhecida foi ganhadora de 18 prêmios Grammy, a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Rock and Roll, a única artista mulher a ter cantado em 3 cerimonias de posse de presidentes norte-americanos (Jimmy Carter, Bill Clinton e Barack Obama). Em 2005, ela foi condecorada com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo então presidente George W. Bush que reconheceu sua enorme contribuição artística para a sociedade norte-americana.

Além de ter alcançado todos estes reconhecimentos, sobretudo era pianista, compositora e uma grande cantora interprete.  Suas covers, suas versões, sempre traziam o seu talento e a sua emoção em cantar a canção, tomando-as como se fossem próprias. Até por isto, seu primeiro grande sucesso foi Respect, cover da canção lançada originalmente por Otis Redding em 1965. Otis foi muito bem em seu lançamento, porém Respect só obteve mesmo um grande sucesso quando Aretha colocou toda a sua energia para re-interpreta-la, dando um novo significado a letra original, transformando-a em hino feminista em plena década de 60.

Em 1972 Aretha lançou o disco Young, Gifted And Black, título inspirado na canção homônima de outra grande cantora Nina Simone. Neste trabalho, além da cover da canção que dá título ao disco, Aretha traz outras inesquecíveis versões como a da música Border Song (Holy Moses) de Elton John e Bernie Taupin e Oh Me Oh My (I'm a Fool for You Baby) gravada pela primeira vez pela cantora Lulu.

Mas para mim, a versão mais impressionante deste trabalho é sem dúvida nenhuma a sua interpretação magistral de The Long And Winding Road. Este sucesso dos Beatles já regravado por inúmeros grandes artistas como Tony Bennett, Ray Charles, Peter Frampton e Sarah Vaughan, quase sempre ganham os mesmos arranjos da música original dos artistas que a reinterpretam. 

É bem verdade que quando uma canção possui uma melodia praticamente definitiva, como é o caso de The Long And Winding Road, quase sempre é muito arriscado fazer alguma “manobra criativa” que a tome para um caminho sinuoso e acabe por estragar tudo. Neste caso, a cover de Aretha é magnífica, levando a canção para um outro patamar, para a estrada do gospel, colocando novos ritmos e força vocal, tornando-a uma pérola da soul music.


A história também conta que Paul se inspirou em Ray Charles para fazer The Long And Winding Road. Mas neste momento eu quero pensar que a música foi feita inspirada em Aretha, a grande mulher e artista que percorreu brilhantemente a sua longa estrada da vida e nos deixou lindas obras musicais. Com toda a certeza suas canções e sua voz, como diz a letra, "nunca desaparecerão" da memória de seus admiradores. Descanse em paz Rainha do Soul.

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