0459 - Sunday Morning - James [1990]

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Um dos álbuns mais influentes de todos os tempos começa com os seguintes versos: "Sunday morning brings the dawn in/ It's just a restless feeling by my side" ("Domingo de manhã traz o amanhecer/ É apenas um sentimento inquieto ao meu lado"). De maneira tranquila, Lou Reed interpreta os versos escritos por ele e o guitarrista John Cale, enquanto uma celesta (instrumento musical semelhante a um piano, porém menor) introduz acordes que parecem ter nascido a partir dos primeiros raios de sol de uma manhã de domingo.

É difícil imaginar que Sunday Morning, a canção de abertura do disco The Velvet Underground & Nico (sim, aquele da banana na capa, desenhada por Andy Warhol), tenha sido escrita a pedido do produtor Tom Wilson para dar mais destaque à voz da alemã Nico, uma da estrelas deste trabalho do Velvet Underground. Mas a última música a ser gravada para o álbum se tornou a primeira faixa da tracklist, tendo sido interpretada pelo próprio Reed, que canta com uma voz aveludada como se fosse uma canção de ninar. 

   

Dar vida a uma canção do Velvet Undergorund demanda uma boa dose de coragem e responsabilidade, além de talento. E a banda britânica James conseguiu fazer isso maravilhosamente bem. Oriundo de Whalley Range, na região da Grande Manchester, o grupo é um dos mais subestimados da Terra da Rainha, tendo lançado canções memoráveis como Sit Down, Laid, Come Home, Born of Frustration e Sometimes.

A versão de Sunday Morning foi lançada no álbum tributo Heaven & Hell: A Tribute to the Velvet Underground - Volume One, de 1990, mesmo ano em que a banda lançou Gold Mother, terceiro álbum de estúdio e trabalho que abriu as portas ao James em meio ao movimento Madchester. A música também integrou o setlist de Come Home Live, show gravado em Manchester, também em 1990, e lançado em VHS e DVD.

Eu, a autora deste post, apaixonei-me pela cover do James na primeira audição. Ela tem uma carga emotiva capaz de encher os olhos de lágrimas, em especial pela interpretação impecável de Tim Booth. Os arranjos, que incluem violino e trompete, engrandecem a música conforme ela se aproxima do final, conferindo personalidade e deslocando-a da versão original. Enfim, uma obra-prima do inicio ao fim.

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