0475 - What's Love Got To Do With It - Tina Turner [1984]

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“Se arrependimento matasse, hoje eu estaria num cemitério qualquer” (...)

Comecei o post com um trecho da música Se arrendimento matasse da banda gaúcha Graforréia Xilarmônica que me parece bem adequada  para contextualizar a história de What’s Love Got To Do With It, canção que é a marca registrada da grande cantora Tina Turner.

Então imagine um cantor ou grupo que ao receber uma demo de uma canção como What’s Love Got To Do With It acha que ela não tem nenhum potencial artístico. E dali a demo passa nas mãos de vários outros artistas e continua a ser desprezada. Depois, anos mais tarde estes artistas estão ouvindo rádio e reconhecem a canção na voz de outro artista e descobrem que a canção outrora menosprezada se tornou um hit mundial. 

Foi exatamente isto que ocorreu com What’s Love Got To Do With It. A canção composta pelos britânicos Graham Lyle e Terry Britten foi oferecida primeiramente ao cantor Cliff Richard. Depois, a música é oferecida as cantoras Phyllis Hyman e Donna Summer que também não tiveram interesse em gravá-la. Na sequência, foi a vez da banda Buck Fizz. A banda inglesa, que havia ganhado a competição Eurovision com a música Making Up Your Mind em 1981, recebeu a canção em mãos em 1982 e decidiu gravá-la em estúdio para o disco Are You Ready. Porém, por terem uma gama de músicas prontas, o grupo optou em deixá-la engavetada. E quando finalmente decidem incluí-la no seu quarto álbum de estúdio, I Hear Talk de 1984, eles se deparam na rádio com o single de What’s Love Got To Do With It explodindo a boca do balão com a cantora Tina Turner. O grupo então decide de vez não mais incluí-la no disco. (Ah, sente arrependimento matasse...)

O Buck Fizz só veio a lançar sua interpretação de What’s Love Got To Do With It em 2000, quando a banda relançou a edição comemorativa de Are You Ready com um CD extra contendo apenas faixas de estúdio gravada durante a produção do disco que ficaram para trás. Eis a versão de Buck Fizz para What’s Love Got To Do With It:


Portanto, tecnicamente falando, What’s Love Got To Do With It na voz de Tina Turner é uma cover. A história de sucesso com a gravação de What’s Love Got To Do With It é fantástica. Esta cover simplesmente fez Tina ressurgir das cinzas para o mundo da música, elevando-a a status de diva da música pop dos anos 80 e 90. Antes, nos anos 60 e início dos anos 70, Tina juntamente com até então seu marido Ike Turner produziram alguns hits no cenário R&B, entre eles a cover de Proud Mary do Creedence Clearwater Revival.

Depois de problemas e brigas em sua vida conjugal, ela se separa oficialmente de Ike Turner em 1978. Nos anos seguintes, Tina gravou dois álbuns que simplesmente não decolaram e a fizeram perder contrato com uma gravadora. Na primavera de 1984, Tina ganha uma nova chance no mundo da música e lança um single com sua intepretação de Let’s Stay Together, canção originalmente grava por Al Green. Esta cover fez com que Tina chegasse a 26ª posição da Billboard Hot 100. E poucos meses depois ela lança o disco Private Dance

O disco foi um sucesso tão grande que chegou a posição de número 3 nas paradas da Billboard e foi indicado a 6 categorias do Grammy Awards, ganhando em 4 delas. Só a música What’s Love Got To Do With It ganhou 3 prêmios Grammy: o de gravação do ano, o de melhor música do ano e o de melhor performance pop vocal feminino. Sem falar que em 1985 o clipe desta canção ganhou também o prêmio de Melhor Videoclipe Feminino no MTV Awards. (Ufa, haja prêmios para uma única canção!)


Com toda esta história, fico pensando se Cliff Richard, Phyllis Hyman, Donna Summer e o grupo Buck Fizz se arrependeram, em algum momento, em não gravar ou lançar sua própria versão de What’s Love Got To Do With It.

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