Cover Records - As versões francesa e alemã para Sabia Lá Na Gaiola

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Quem nunca cantou quando criança: “Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho / Voou, voou, voou, voou / E a menina que gostava tanto do bichinho / Chorou, chorou, chorou, chorou”. Os versos de Sabiá na Gaiola se tornaram uns dos mais conhecidos entre as cantigas infantis brasileiras desde seu lançamento, em 1950, quando Hervê Cordovil cantou e musicou a criação de Mário Vieira. 

Inicialmente criado como um baião, esta grande sucesso nas cantigas de roda e da música popular brasileira teve como primeira intérprete a grande Rainha do Baião da Rádio Nacional, Carmélia Alves.


E logo não demorou para outros artistas de outros gêneros musicais regravarem também suas interpretações de Sabiá na Gaiola, entre eles a grande cantora, acordeonista e atriz Adelaide Chiozzo – que infelizmente nos deixou em 4 de março último.


Além de todo este sucesso por aqui, é fato pouco conhecido dos brasileiros que Sabiá na Gaiola obteve muito sucesso também fora do Brasil. Assim como no caso da canção Meu Limão, Meu Limoeiro (outra música que é um grande sucesso infantil cuja história de suas versões internacionais já contamos aqui), a composição de Hervê Cordovil e Mário Viera foi tocada por artistas estrangeiros e teve até sua letra adaptada para o francês e o alemão, como veremos a seguir...

Uma das primeiras gravações internacionais para Sabia na Gaiola é de 1952, quando Oscar Aleman, um dos maiores guitarristas argentino e considerado um dos melhores de sua geração (muitas vezes comparado com Django Reinhardt dada sua habilidade com o instrumento), gravou sua própria versão, cantando e tocando ao lado do seu Quinteto de Swing. Apesar de ser argentino, Oscar viveu em Santos/SP ainda durante sua juventude, fato este que o fazia cantar como se fosse um brasileiro nativo, como podemos perceber nesta belíssima versão.


Em 1954 foi lançada uma adaptação para o francês pelo cantor Luis Mariano. A adaptação feita pelo letrista René Rouzaud recebeu o título Et Flûte! Et Zut! que numa tradução livre seria algo como “E Flauta! E Maldita”.

Sem conhecer a letra e sem se utilizar de uma ferramenta para tradução, acredito que a adaptação tenha um tom mais humorístico e talvez um tanto quanto machista, dado o poster da época de divulgação do lançamento do single de 48 rotações que continha Et Flûte! Et Zut! que encontramos num site de discos antigos na internet. Perceba que ao invés do sabiá na gaiola, há uma mulher engaiolada (e isto nos pareceu algo sexista).

E aqui temos a interpretação em francês de Luis Mariano:


A próxima adaptação que encontramos, desta vez, para o idioma alemão, recebeu o título Ja, Das Sind Die Kleinen Geschichten (Hat Sie Gesagt) – que numa tradução com o auxílio do Google Tradutor resultou em algo como “Sim, estas são pequenas histórias (ela disse)”. A autoria da adaptação é do compositor Hans Korten e a interpretação ficou por conta da dupla formada pelos irmãos Caterina Valente e Silvio Francesco.

Caterina teve seu auge como artista durante a década de 60 e 70, inclusive participando de programas de TV norte-americano ao lado de figuras como Dean Martin e Perry Como. Ela também é bem conhecida pelo público brasileiro, sendo uma fã declaradamente apaixonada pela música brasileira, principalmente pela bossa nova. Já, seu irmão Silvio Francesco teve uma carreira menos reconhecida internacionalmente, tendo um bom sucesso na Alemanha e na Itália.

Em 1956, Caterina e Silvio gravaram o single de Sabia na Gaiola adaptado para o idioma alemão sob o codinome artístico Club Argentina. Talvez, a opção por este codinome se deu pelo fato do arranjo musical estar mais próximo de um mambo ou de um tango do que do baião original. Ao menos, os créditos aos autores brasileiros estão grafados corretamente, como podemos ver: 

E aqui a versão alemã:


Depois destas covers, você já pode ir treinando para tentar cantar Sabia na Gaiola para seus filhos pequenos em outros idiomas. E um “viva” para estes compositores brasileiros como Hervê Cordovil e Mário Viera e um outro "viva" para as cantigas de roda brasileiras que tanto sucesso fizeram aqui e internacionalmente, levando um pouco da nossa cultura para outros países e monstrando que para boa música não existem fronteiras.

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